terça-feira, 29 de setembro de 2015

O fim da greve é discutido em assembleia e horizonte é delineado pela categoria docente *


Na manhã de hoje, por volta das 9h:30min, aconteceu mais uma assembleia dos docentes. Em uma avaliação do comando local de greve pela professora Marina Barbosa, Serviço Social, ela ressaltou: “Hoje é dia 29 e ontem a nossa greve completou quatro meses. Ainda que nós estejamos em greve em menos tempo [que os TAEs], somos uma categoria nacional.(...)". A análise da professora seguiu em uma avaliação sobre o que os professores estariam trazendo para a assembleia, propondo para que a categoria pense em conjunto.
Foi discutida nessa assembleia a nitidez com que essa onda de greves não atingiu apenas o âmbito das instituições de ensino superior, de que temos hoje uma onda de reivindicações que se alastrou pelo país. Principalmente no setor público, como vemos os vários cartazes pregados pelos centros das cidades nos prédios públicos, vemos um paralelismo na avaliação da situação dos serviços públicos brasileiros. Essa situação delineada por um desmanche gradual do funcionamento das instituições públicas e do seu papel social. Com este debate que hoje foi feita essa análise dessa alteração nos modos de trabalho e em sua condição. Atrelando diretamente aos cortes e ao contingenciamento orçamentário. Dessa maneira, o movimento grevista colocou em evidência o atrelamento de uma ausência de política salarial com um arrocho salarial aos acordos anteriores, neste caso, ao estrangulamento da categoria imposto na última greve.

A vivência em um momento de uma crise institucional causada por uma expansão irresponsável foi citada constantemente. Também foi apontado o custeio necessário e a dinâmica de trabalho, quando faltante neste processo, passaria a ser o motivo do sucatamento dos trabalhadores das instituições públicas de ensino.

Nesses quatro meses de greve houveram algumas pequenas respostas. Uma delas foi a construção de uma unidade em cima de acordos de política e de propostas para enfrentar o governo. Conseguiram não somente discutir, mas tirar o governo de um lugar de conforto, pressionando contra o congelamento e o estrangulamento de qualquer disputa salarial. Foi dado neste momento de crise uma visibilidade para as disputas trabalhistas dentro setor público. A proposta apresentada pelo governo foi considerada ruim pelos trabalhadores, não satisfazendo as demandas da categoria.

Houveram críticas ao ajuste fiscal do governo petista, colocando esse tipo de política econômica como um duro golpe contra os trabalhadores. Foi apontada que essa política de austeridade econômica é parte de um projeto político que estrangula os setores públicos com o objetivo de o capital se levantar dessa crise.

Os encaminhamentos votados e aprovados em assembleia após uma dura discussão sobre o cenário político e econômico brasileiro apontaram para o fim da greve, entretanto sem assinar os acordos propostos pelo governo. Isso se dá por uma estratégia que o governo tenta impor para amarrar as disputas do setor público, estrangulando um debate trabalhista importante. Na assembleia então, a categoria docente grevista aprovou um indicativo de saída da greve com data prevista. Apesar de a data não ter sido definida, nesta assembleia a categoria dos professores já desenharam o horizonte de como tudo ocorrerá nas próximas semanas.

Os docentes (da UFJF e IF Sudeste) devem sair da greve juntamente com os outros movimentos docentes grevistas pelo país. Isso será feito de forma uniforme, juntamente com o ANDES Sindicato Nacional. Será uma saída unificada que ocorrerá entre os dias 7 de outubro e 13 de outubro.

Haverá uma nova assembleia no dia 8 de outubro que discutirá o encontro da categoria nacional com o ministro da educação Renato Janine Ribeiro. Esse encontro acontecerá no próximo dia 5 de outubro em Brasília, e se tudo ocorrer como espera o ANDES, o fim da greve deve ser votado e aprovado já no dia 8. A previsão das aulas para os alunos em nossa universidade – se o CONSU votar hoje (29) pela revogação da suspensão do calendário acadêmico – deve ser aproximadamente por volta da terceira ou quarta semana de outubro.

*Obs.: Por ordens técnicas, o conteúdo deste texto foi atualizado às 16h do dia 29/09.
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